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Archive for the ‘Recursos Naturais’ Category

Nos últimos dias o assunto é o Pré-sal. E o presente dos deuses (rezo para não ser de grego!) será discutido, debatido, etc…etc…, por no mínimo, 90 dias.

O “ouro” pode trazer benefícios significativos para o país (geração de renda, investimentos em infraestrutura, educação, cultura…) e também causar outros impactos ainda não comentados no emaranhado de notícias.

Por agora, não considerarei qual deverá ser o modelo de exploração, se é necessário ou não a criação de uma estatal, os critérios de capitalização, a distribuição de royalties, pagamento de bônus ou se o preço do barril decairá em longo prazo (de repente recordei da curva (descendente) da oferta, quantidades crescentes no eixo x, preços decrescentes no y… mas isso deixo aos economistas!). Tratarei, simplesmente, da Análise/Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) do petróleo. Para quem não está habituado ao termo, ACV nada mais é do que pensar em um produto desde a origem (berço) da matéria prima para sua fabricação até o seu descarte (túmulo).

A Bacia do Pré-sal, minimamente, duplicará a produção de petróleo brasileira. As previsões mais tímidas do Governo estimam uma reserva de 30 bilhões de barris no local (contra atuais 14 bilhões de barris). Logo, se a quantidade de matéria prima aumenta, temos uma maior oferta de produtos finais advindos de tal. Se temos uma maior disponibilidade de produtos finais, necessariamente, nos deparamos com quantidades de resíduos crescentes.

Onde quero chegar?

O petróleo é matéria prima para fabricação de chapas plásticas e fitas de arquear, garrafinhas e copinhos, utilidades e peças, tubos para esgoto, sacos, sacolinhas e sacaria industrial, cd´s, gasolina e diesel, por exemplo. Cavoucaremos aproximadamente 7 km para produzir maior quantidade desses bens. E onde acabarão tais produtos após a cessação da vida útil, ou seja, o momento do descarte?

Respondo…

Tratando-se dos artefatos plásticos alguns serão reciclados, boa parte irão para aterros e lixões e uma pequena parcela para incineração. Já a gasolina e o diesel, o descarte será na atmosfera mesmo.

Se hoje, com uma reserva de 14 bilhões de barris de petróleo, o caos provocado pela destinação inadequada de resíduos e excessiva emissão atmosférica de poluentes nos centros urbanos está instalado, o que dizer quando a região do Pré-sal estiver em plena exploração? Já imaginou a quantidade de lixo e poluentes gasosos circulando por aí?

O Plano Nacional de Mudança do Clima (PNMC), em trâmite no Congresso, almeja, por exemplo, melhores índices de participação de fontes de energia renováveis e limpas na matriz elétrica e no setor de transportes. Isso representa maior incentivo governamental ao mercado captador de carbono equivalente e de biocombustíveis, portanto, uma contribuição para o desenvolvimento sustentável.

A ‘Grande Bacia de Petróleo Tupiniquim’, de certa maneira, contrapõe os objetivos propostos no documento em circulação no Congresso, porque representa uma continuação do modelo que todos conhecemos. Implica na aceitação brasileira por um sistema insustentável, como muitos dados históricos demonstram. Coloca em competição desigual um modelo sustentável de longo prazo, no caso o PNMC, contra um modelo de crescimento de curto prazo envolto por riscos de grandes impactos. E ainda é citada como motivo para aquisição de ferramentas bélicas, em prol da soberania nacional.

Bom ou ruim teremos que tomar a água negra e engolir calmamente o líquido. Que os dólares e euros sejam benditos e cumpram um papel importante como fomentadores da pesquisa e promoção da real sustentabilidade!

E já que o mal é necessário, a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) também torna-se ‘urgente urgentíssima’. O Projeto de Lei trata de uma questão (entre outras) crucial referente aos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU): a logística reversa.

Logística reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social, caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

O que isso quer dizer?

Que toda e qualquer empresa passa a ser responsável pelo Ciclo de Vida de seu Produto, ou seja, a indústria dos cd´s passa a ser responsável pela destinação ambientalmente correta das embalagens pós consumo dos discos compactos, por exemplo.

O instituto é importantíssimo para regulamentar e ordenar o crescimento dos resíduos sólidos domiciliares, industriais, comerciais, públicos, de serviços de saúde e hospitalar, portos, aeroportos, terminais rodoviários e agrícolas.

Um país que deseja alcançar a posição de liderança global para as discussões ambientais, não poderá analisar somente o Pré-sal em si. É preciso considerar, mais profundamente à minha avaliação, as externalidades advindas do ‘petrosal’. As conversas, até aqui noticiadas, deram pouca importância (ou nenhuma) para o meioambiente e isso já me causa arrepios!

Espero que o Governo e ninguém não repita aquele discurso de outrora: “A pobreza é um dos principais problemas ambientais do Brasil.”

Viva o Brasil!

Leandro dos Santos Souza
Gestor ambiental

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