Muito se tem falado sobre energia nuclear nos último dias, em função do acidente na usina nuclear de Fukushima, no Japão. Aliado ao fato, também começaram as especulações sobre as usinas brasileiras de Angra 1, 2 e 3 (em construção). O argumento utilizado por seus defensores é que o Brasil precisa de energia e que a energia nuclear é limpa e sustentável já que não produz gases de efeito estufa, não necessita de grande área e produz baixos impactos ambientais.
Há seis tecnologias de reatores nucleares no mundo. A escolhida para ser utilizada nas Usinas de Angra 1, 2 e 3 é considerada a mais segura, segundo o ministro de Minas e Energia Edson Lobão, e ainda complementa que quer fazer mais quatro. Esta tecnologia compreende um reator a água pressurizada (PWR), usada em 60% das usinas (incluisive na de Three Mile Islando, nos EUA) (Fonte Revista Época).
Do ponto de vista econômico, é questionável um país como o Brasil, com tantas desigualdades sociais necessitando de solução, orçar bilhões na construção de uma usina nuclear que gerará energia a um custo muito mais alto que a proveniente de usinas hidrelétricas. Estes altos custos de construção, manutenção, seguro contra acidentes e descomissionamento das usinas tornam a energia nuclear no Brasil é cara e pouco viável.
Em relação a um possível acidente nuclear, sabe-se que a probabilidade nuclear é pequena, mas existe e assusta a população, que tem em mente os acidentes de Three Mile Island, nos Estados Unidos, de Chernobil, na Rússia e agora de Fukushima, no Japão.
Já sobre a discussão dos impactos no processo de produção de energia nuclear, estes variam desde a obtenção da matéria-prima e fabricação do elemento combustível até a o local adequado para a disposição final dos rejeitos radioativos.
Considerando os aspectos citados, ficam algumas perguntas para reflexão:
Será ético deixarmos tantos passivos ambientais para as gerações futuras, em decorrência do processo de produção da energia nuclear?
Será que o Programa Nuclear Brasileiro é sustentável?
Mesmo que as usinas atendas as normas internacionais, estamos mesmo preparados para algum acidente que possa a vir a acontecer em Angra 1, 2 e 3?
E a população da cidade e dos arredores, recebem mesmo o treinamento adequado para lidarem com cada tipo de situação?
Veja também a reportagem especial sobre a tragédia no Japão, e demais discussões, no programa Cidade & Soluções, da globo news, no link abaixo:
http://globonews.globo.com/platb/cidadesesolucoes/2011/03/18/exclusivo-programa-especial-na-integra/